Caro Armando Sanca,
Vou-lhe responder para que fique claro (para si e todos quantos se referem à questão do ódio, simplesmente por se ter forma diferente de ver as coisas), que aqui neste site www.didinho.org critiquei e continuarei a criticar quem eu achar que devo criticar! É um direito que me assiste, tal como a qualquer pessoa e cidadão.
Pergunto a todos quantos insinuam que eu mudei, se mesmo criticando o Didinho não saiu sempre em defesa da Constituição e da legalidade?
Quantas vezes não houve "movimentações" com o objectivo de se derrubar o Governo legitimado nas urnas e cujo mandato era até Novembro, tendo o Didinho saído em defesa do respeito pelo voto popular e que se permitisse que a legislatura chegasse ao fim?
Será que se esquecem que mesmo em relação a acusações proferidas sobre o alegado envolvimento de Carlos Gomes Júnior nos assassinatos de Março de 2009, o Didinho defendeu que mesmo que viesse a ser necessário a substituição do Primeiro-ministro, caso o Ministério Público considerasse haver provas suficientes para ele ser incriminado, a governação continuasse e o PAIGC na qualidade de Partido vencedor das eleições indicasse um novo nome para o cargo de Primeiro-ministro?
Aí não havia ódio?
Quando a 1 de Abril de 2010 aconteceu o que aconteceu, qual foi a postura do Didinho e de outros?
O que aconteceu com a candidatura de Carlos Gomes Júnior, para mim, foi o mesmo que um golpe de Estado, pois a leitura que faço da Constituição, ele não foi exonerado do cargo, por isso, não podia abandonar o cargo de Chefe do Governo para ser candidato, nem podia, ele mesmo nomear uma Primeira-ministra, como aconteceu e hoje em dia finge-se que não foi assim, quando há provas sobre o que realmente aconteceu.
Deixando de haver Primeiro-Ministro deixa de haver governo.
Tudo o que aconteceu nas disputas com as Forças Armadas, deveria ser equacionado tendo em conta a gravidade dos problemas em questão e o momento eleitoral em curso, mas não foi.
Houve Golpe de Estado, os militares justificaram as suas razões e essas razões, independentemente de condenar o Golpe, são válidas para mim! Goste-se ou não é a minha opinião, é o meu posicionamento.
Os militares, que são nossos irmãos, anteciparam-se para não serem chacinados!
Na governação de Carlos Gomes Júnior, há vários exemplos de eliminação de políticos e militares, por isso, não seria nenhuma novidade se a tendência continuasse. É fácil cada um condenar hoje a antecipação, mas se tivesse acontecido mais uma chacina a mando de Carlos Gomes Júnior, "justificada" com uma tentativa de golpe de Estado, como aconteceu no passado, aí, os familiares dos militares e dos civis incómodos é que teriam que resignar-se com a morte dos seus ente-queridos.
Caro Armando Sanca,
O Didinho não defende fulano ou beltrano!
O Armando Sanca acusa o Didinho de estar possuído pelo ódio, isso é grave, caro Armando, porque nunca leu nada que o Didinho tenha escrito que fundamentasse o ódio contra quem quer que seja.
Se quer desgastar a minha imagem faça-o onde bem entender, mas da próxima vez, não me venha insultar aqui neste espaço, pois não o permitirei, nem a si, nem a mais ninguém!
Façam-no nos espaços que vos são queridos e de vossa contínua referência.
Sobre o facto de pessoas deixarem de escrever no site www.didinho.org onde está o problema?
Coloquei um tema para debate que é: AS RELAÇÕES entre o PARENTESCO E o poder, SUAS CONSEQUÊNCIAS SOCIAIS E POLÍTICAS para a GUINÉ-BISSAU.
Este tema não foi colocado por acaso. Quando tiver oportunidade de fazer o meu trabalho sobre o assunto, numa visão antropológica e política, certamente se compreenderá também o porquê de muita gente ter deixado de escrever no site www.didinho.org.
Caro Armando Sanca,
Ao longo destes anos preocupei-me em estudar questões políticas, sociais e militares da Guiné-Bissau. Se não sabe, digo-lhe que por este site passaram muitos ministros, ainda que com pseudónimos, filhos de ministros, familiares em terceiro e mais graus, de ministros, Presidentes ou ex-Presidentes da República...
O Didinho não mudou, porque defende causas e o seu Partido é a Guiné-Bissau.
Quando o Didinho critica um governante, o colaborador do site www.didinho.org que sente que a crítica ao governante que é seu parente/familiar é também uma crítica a ele, não gosta, não aceita, deixa de escrever, toma o Didinho como inimigo entre outras coisas, mas isso, como disse, explicarei no tema que coloquei recentemente para debate.
A Guiné-Bissau está como está, porque o poder enraízou-se através dos laços de parentesco e por isso a cumplicidade (na má governação, nos crimes de sangue, corrupção etc.) faz prevalecer um Estado suportado pela impunidade e onde a massa crítica comprometida apenas com o país é alvo de ira e de incompreensão, ao ponto de ser designada como inimiga do país e fomentadora de todos os males que acontecem na Guiné-Bissau.
Nos países civilizados a evolução é também sinónima de massa crítica, pensadores/críticos, suas entregas à causa comum.
Na Guiné-Bissau, infelizmente, tarda-se a chegar lá, porque "se estou bem, quero lá saber dos outros..."
Caro Armando Sanca, gostaria de poder aprender qualquer coisa consigo, mas, infelizmente, do comentário que disponibilizou, achei que humildemente, quem lhe deve disponibilizar alguns ensinamentos, sou eu.
Mantenhas
Didinho
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